(Chico Buarque - Augusto Boal, 1976)
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seu maridos, orgulho e raa de Atenas
Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas no choram
Se ajoelham, pedem, imploram
Mais duras penas
Cadenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos, poder e fora de Atenas
Quando eles embarcam, soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam sedentos
Querem arrancar violentos
Carcias plenas
Obscenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos, bravos guerreiros de Atenas
Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar o carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaos
Quase sempre voltam pros braos
De suas pequenas
Helenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos os novos filhos de Atenas
Elas no tm gosto ou vontade
Nem defeito nem qualidade
Tm medo apenas
No tm sonhos, s tm pressgios
O seu homem, mares, naufrgios
Lindas sirenas
Morenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos, heris e amantes de Atenas
As jovens vivas marcadas
E as gestantes abandonadas
No fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
s suas novenas
Serenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos, orgulho e raa de Atenas
Andr Velloso - Rio de Janeiro, Brazil
alv@domain.com.br
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(Chico Buarque - Augusto Boal, 1976)
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seu maridos, orgulho e raa de Atenas
Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas no choram
Se ajoelham, pedem, imploram
Mais duras penas
Cadenas
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